Quando a obesidade não é só a comida.

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Entrar na academia e fazer dieta. Essa é a fórmula habitual que muitas pessoas buscam para perder peso. Fora isso, soluções mágicas surgem com certa frequência prometendo perdas bem significativas em pouco tempo. A luta contra a balança é para alguns incessante, um modo de viver, um desafio inesgotável. São anos de dedicação em dietas, acompanhamentos profissionais, medicamentos e todo tipo de proposta possível para atingir o sonhado objetivo de estar no peso adequado.

Afinal, por qual motivo deseja-se perder peso?

Essa é a pergunta fundamental que acaba esquecida com o tempo e a mais importante. Atualmente existe uma pressão de todos os lados para a manutenção de um peso adequado como se fosse a plena tradução de saúde e beleza. Uma pessoa obesa pode sofrer pressão do companheiro, da família, dos amigos, dos profissionais da saúde, da mídia e dela própria que se cobra para estar em forma. Sem dúvida isso se tornará um processo desgastante. Deste modo, os objetivos vão se muta até o ponto de não se saber nem mais o porquê de perder peso.

É importante analisar a fundo esse objetivo, visto que determinará qual será a qualidade da motivação pela qual alguém está disposto a seguir ou não determinado hábito. De acordo com a teoria da autodeterminação de Deci e Ryan um indivíduo pode estar motivado intrinsecamente ou extrinsecamente. A forma mais simples de explicar a motivação intrínseca é entender a razão pelo qual uma criança de 3 anos brinca. Oras, ela brinca porque gosta e ponto final. Não há nenhuma recompensa além do próprio divertimento. Já quando uma criança tenta tirar boas notas na escola, porque se tiver alguma nota baixa não poderá jogar videogame, essa é uma motivação extrínseca. A criança estuda com medo da punição.

Trazer esse olhar da motivação para a questão da obesidade é fundamental. Considerando aquele contexto em que há uma pressão pessoal e de terceiros para perda de peso, provavelmente estaremos falando de uma motivação extrínseca. Ocorre que hábitos que derivam da motivação extrínseca tendem a falência no longo prazo e pior, tendem a atrapalhar a motivação intrínseca. Assim, provavelmente encontraremos a resposta para o “efeito sanfona”. A pessoa inicia uma dieta que durará 2 ou 3 meses, passa a comer o que não gosta ou alimentos que nunca fizeram parte do hábito alimentar. Também faz matrícula na academia, empolga na primeira semana, mas depois paga as mensalidades e quase não a frequenta por desânimo. Fatalmente essa experiência entrará em falência com o tempo.

Então como estar intrinsecamente motivado para perder peso? Esse é um objetivo de certa forma vazio e chato, apenas um número na balança. Portanto, dificilmente alguém estará motivado a “perder peso”. Sendo assim, a melhor resposta para promover a motivação intrínseca de alguém que deseja emagrecer é não focar no objetivo do peso e sim em hábitos saudáveis que sejam prazerosos, por fim, o resultado virá como consequência. Um processo de reeducação alimentar trabalhado com um nutricionista pode permitir que o paciente mantenha o prazer na alimentação através de escolhas mais adequadas para o dia a dia. A prática de exercícios não foge essa regra. Fazer algum exercício sem gostar é uma receita para não passar da aula experimental ou pagar mensalidades e faltar sempre.

Apesar de toda motivação, é importante entender a razão de se estar acima do peso.  É fundamental observar que o excesso de gordura corporal é a consequência da somatória de hábitos e de um provável desequilíbrio do estilo de vida. Veja bem, como alguém que trabalha 8h por dia, estuda no período noturno e dorme 5h por noite terá tempo para o autocuidado? Há uma grande chance dessa pessoa evoluir com maus hábitos de vida. Por exemplo, se essa pessoa trabalhar sentada, quase fatalmente ela será sedentária, visto que passará cerca de 12h do dia nessa posição. Dificilmente 1 hora de academia 3 vezes por semana vai ser a solução desse problema, apesar de já trazer benefícios. Do mesmo modo, nessa correria entre casa, trabalho e faculdade haverá pouco tempo para selecionar as melhores opções de refeições ou de preparar algum alimento mais saudável, a escolha cairá sobre o prático. Ocorre que o prático por muitas vezes é uma refeição hipercalórica. De outro modo, algumas pessoas optarão por um jejum prolongado com apenas duas refeições ao dia. Sendo assim, a motivação também não é a única chave para o resultado. Deve-se observar o paciente de uma forma global para compreender melhor as razões que o levaram à obesidade.

Você se interessou pelo tema ou se identificou com algo acima? Deseja fazer uma avaliação do estilo de vida de forma a buscar alguma orientação para perda de peso? Conhece alguém que pode se beneficiar dessa abordagem? Procure o Ambulatório do Estilo de Vida da Unilago que fica no prédio do Jovem Doutor. Nosso atendimento ocorre toda terça durante a tarde a partir de 13h. Telefones (17) 3354-6012 / 3354-6000 * 0284 ou diretamente no ambulatório na Rua Dr. Eduardo Nielsem, 960 – Jd. Aeroporto.

Atenção, nosso ambulatório é auxiliar e não substitui o acompanhamento com os demais profissionais.

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