abril 3, 2017 Educação em Saúde como diferencial no Controle de Endemias

Educação em Saúde como diferencial no Controle de Endemias

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Em uma fase de atenção emergencial à saúde nacional, devido ao aumento de casos e também de reincidências de doenças endêmicas que há muito se obteve um controle estatisticamente considerado, é de extrema importância a valorização do trabalho de Educação em Saúde como diferencial no Controle de Endemias. Além dessas, ainda devemos considerar a importância de controlar, promover e prevenir incidências de outras doenças significativas.

Levando-se em consideração que educação é a principal ferramenta do cotidiano do ser humano, a educação em saúde trata-se de trabalhar temáticas condizentes com a realidade da comunidade local, onde a ação será realizada, educando a população com informações de prevenção, manutenção e tratamento adequado das doenças trabalhadas.

O trabalho pode ser desenvolvido por diversos profissionais da saúde, e atingir um público diversificado, abordando temáticas como: Saúde Bucal, Saúde da Criança, Saúde do Adulto e do Idoso, Controle de doenças, nutrição, entre vários outros que compõem um leque de assuntos a se trabalhar.

 

Etapas de desenvolvimento:

Primeiramente deve-se definir o assunto a ser discutido; analisar e elencar temas que apresentem necessidades significativas de serem abordados em determinado grupo de população, a ideia principal da atividade é de transmissão de conhecimentos, com aconselhamentos, correções e sugestões ao que já se é desenvolvido pelo público, levando-se sempre em consideração a realidade social, as crenças e valores do mesmo.

Em sequência é importante selecionar o público mais atingido com a temática abordada, que podem ser composto desde crianças e adolescentes em escolas, adultos em ambiente de trabalho, lazer e atividades cotidianas como empresas, postos de combustível, supermercados.

A terceira etapa consiste em definir qual a forma mais significativa para a ação, podendo ser palestras expositivas, abordagens em grupos com discussões temáticas, agregando sugestões e participação ativa da população. Deve-se atentar quanto à essa forma de transmissão de informações, para não apenas apontar erros da população através de fatores sociais, culturais ou financeiros que possam favorecer as condições de saúde atuais, mas também apresentar sugestões, abrir espaço para obter outras advindas do público, possibilitando que o mesmo sinta-se envolvido e integrado à atividade.

Ações educativas em saúde necessitam ser objetivadas como um processo que possibilita capacitar indivíduos ou grupos para contribuir na melhoria das condições de vida e saúde da população local.

Avaliação de Resultados:

Através de comparações de dados e reavaliações de registros em unidades de saúde próximas, é possível analisar o efeito decorrente do trabalho desenvolvido. É importante atentar essas devolutivas para comparar o diferencial do impacto ocasionado com essa atenção maior de ensino e inserção da comunidade aos assuntos influentes na qualidade de vida dos mesmos.

Quando a sociedade se sente envolvida, e recebe maior número de informações, sugestões e avaliações, o quesito resultado possibilita números mais favoráveis ao controle de problemas de saúde.

Auxílio em Endemias:

Percebe-se um exemplo claro de importância, necessidade e até mesmo das dificuldades ainda presentes na questão da educação em saúde adequada quando se trata por exemplo dos casos atuais de incidências e reincidências de doenças como febre amarela, dengue, zika e chikungunya, a sociedade obtém informações referentes ao vetor e transmissor da doença, através de meios de informações como Tv, internet e jornais, porém, falta discernimento e manejo desse conteúdo de forma devida para cada população alvo.

Entende-se que a febre amarela ocorre principalmente nas Américas do Sul e Central, é transmitida por mosquitos em regiões tanto urbanas quanto silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos a diferença se dá na questão dos transmissores, os quais, na forma silvestre, em áreas florestais, o vetor é principalmente o mosquito Haemagogus. Já em meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes Aegypti (o mesmo da dengue). A doença de desenvolve quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina entra em contato com áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano.

Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas mesmo assim ter uma quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos, assim sendo, são tão vítimas quanto o homem, ao contrário do que se tem percebido ser de entendimento da população.

Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra, da mesma forma, o macaco não transmite a doença. A população tem definido através de informações incompletas, ou interpretações errôneas, que o principal vilão desse caso é o macaco, e desde então, muitas foram as ocorrências de mortes de macacos em diversas regiões, ao invés do foco principal ser o combate ao mosquito Aedes Aegypt, o verdadeiro vilão.

Na verdade, a incidência da doença nos macacos, possibilita uma percepção mais rápida de que a doença pode estar próxima da população, visto que os mesmos habitam os ambientes silvestres e urbanos.

A valorização e administração da melhor forma de trabalhar a educação em saúde pode contribuir muito para a melhor qualidade da saúde no Brasil e no mundo.
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Profª Ms. Camila Aline Lázaro, graduada em Enfermagem pela Faculdade de Medicina São José do Rio Preto (FAMERP), Mestre em Enfermagem pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP). Docente do curso de Medicina Da União das faculdades dos Grandes Lagos (UNILAGO) da disciplina de Módulo de Integração Saúde e Comunidade (MISC)

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